FINADOS
Os mortos estão esperando há dias com euforia à chegada do dia de finados;estão numa expectativa muito grande para rever,conversar e brincar com seus familiares.
Entusiasmados,os mortos de todaa as idades,credos e cores,ficavam no seu costumeiro lugar de sempre à espera comportados da abertura dos portões.
Um dia antes,o cemitério estava um brinco,meios-fios pintados,árvores podadas,os banheiros higienizados,os servidores na beca e esfuziantes e apostos.Do lado de fora,os floristas e afins,vendiam seus produtos pela hora da morte.
Estavam todos de frente ao cemitério,os vivos para passar o dia inteiro com seus entes falecidos.Os mortos estavam ansiosos e perfumados,cada um trajava sua roupa preferida,outros vestiam-se mais formais,alguns estavam maquiados para tirar aquele aspecto de morte no rosto.Cada morto estava no seu lugar habitual.
Os portões foram abertos pontualmente às cinco hora da manhã.Cada familiar se dirigiu ao seu ente querido sem fazer alarde,sem choro,sem nenhuma emoção aparente.Sem entender aquela empatia emocional,os mortos começaram a agir de forma estranha diante dos vivos que se mantinham frios e apáticos àquele dia tão especial.
Se os familiares vivos chegavam diante dos mortos enterrados,e estes viam que eles não faziam as coisas que sempre faziam,os mortos ficavam assustadoramente perturbados,tinham atitudes esquipáticas como ficar inquietos e gritavam ,arrancando as vestes e alguns até se automotilavam num ato insano de puro desespero.
Ás vezes,o próprio morto ajudava a socorrer outros,abanava,dava água com açucar,calmante,massageava a testa,o peito com álcool,fazia isso até que a calma reinasse novamente e os familiares vissem que eles estavam ali morto mas vivos de saudade...
Encerrada a hora da visita,os portões se fecharam pontualmente as dezoitos horas,não havia mais ninguém no recinto.Os mortos não podiam acompanhar seus familiares,o jeito era esperar o próximo dia de finados daqui a um ano.
Como formigas,cada morto volta para o seu buraco,sem saber o que tinha acontecido. Uns resignados,outros revoltados,e outros xingando Deus por ser o culpado.Cada familiar retornou para sua casa,e tudo voltou a normalidade dentro e fora do cemitério!O morto voltou a ser morto.E o vivo voltou a ser vivo!
do livro de contos
parindo dores nas terras dos meus amores!
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